22 anos da morte de Caio F. hoje. Aqui, a hora da estrela de cinema do belo: uma participação especial em Perfume de Gardênia, de Guilherme de Almeida Prado.
Blog dedicado a textos de Caio Fernando Abreu. São crônicas, críticas, entrevistas, tudo escrito por ELE e a maioria inéditos em livros.
domingo, 25 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Viver é expor-se ao perigo. Escrever também
| A capa |
Era 1976 e Caio Fernando de
Abreu foi um dos sete novos escritores brasileiros reunidos pelo jornal alternativo
Opinião para falar sobre a literatura brasileira. "Eles não são best-sellers, nem costumam
dar entrevistas sobre o boom literário que, acreditam alguns, assola o país.
São apenas escritores, cientes de que existem polêmicas mais urgentes do que,
por exemplo, a divisão entre populistas e vanguardistas". Sete autores contra o beletrismo e as
panelinhas literárias era o título da matéria de capa da edição de abril, quatro
páginas. Caio tinha já havia lançado
três livros: Inventário do Irremediável, Limite Branco e O Ovo Apunhalado. Abaixo
o que ele falou na entrevista - segue a pergunta e sem o que os demais entrevistados falaram
| A abertura da matéria |
Opinião: Qual é o papel
social do escritor no Brasil e na América Latina hoje em dia?
Caio F.: O papel social do
escritor no Brasil, na América Latina e no mundo inteiro será sempre, e sob
quaisquer condições, lutar pela liberdade de expressão.O intelectual será
sempre um contestador. Denunciar, sempre, é a sua função. Denunciar a
violência, a corrupção, a repressão, a intolerância. Ajudar na recuperação da
dignidade humana.
Opinião: Mas existem fatores
imediatos que agravam esta crise, que condicional hoje, de forma diferente, a
expressão literária?
Caio F: Impossível separar,
hierarquizar: é um todo. As barreiras do escritor brasileiro em relação à
literatura são as mesmas do homem brasileiro em relação à vida. Ao outro. A si
mesmo.
Opinião: Mas então não
existem vínculos?
Caio F: O presente é sempre
resultante do passado, uma consequência. Ninguém se desvencilha, facilmente, de
suas origens, de suas raízes. Mas creio que um escritor deva ser fundalmente um
homem de seu tempo. Seria ridículo, irreal e anacrônico escrever, em 1976, como
Machado de Assis, por exemplo. Mas para compreender o presente, devemos
conhecer o passado, a História. Para nos libertarmos do passado é necessário
assumir o presente. E encarar o futuro, se é que ele existe.
Opinião: Parece que
predomina, nesses termos, a personalização da obra, não há propriamente um
movimento literário, em termos organizados, certo?
Caio F: Eu não sei, não...
Dizem que escrever um romance hoje em dia é procurar a melhor maneira de assassinar o
romance. Não acredito nisso. O romance já foi assassinado por Joyce, faz muito
tempo. E entre nós, por Oswald e Mario de Andrade. Não gosto dessa
diferenciação conto-novela-romance. Existem textos de ficção. A rigidez só pode
limitar. A liberdade total de criação é o caminho. Não só em literatura, mas em
qualquer forma de arte, e também na vida.
Opinião: E que lugar ocupa o
Realismo Mágico na literatura brasileira?
Caio F: O Realismo Mágico tem
na literatura brasileira o mesmo lugar que em outros sistemas sociais
semelhantes. Na medida em que não se permite ao artista ser claro, ele recorre
à metáfora do presente. Mas também existe o pseudo-Realismo Mágico sem vínculo
algum com a realidade. Não é nada disso. Trata-se, repito, de assumir o nosso
tempo. Aqui e agora.
Opinião: E o autor jovem
deve lutar, então, para ser editado?
Caio F: Lutar não só para ser
editado, mas também para ser distribuído - o maior problema - divulgado e lido.
Lutar sempre. Impor a nossa presença. Não permitir que nos vaporizem ou invisibilizem.
Existimos e temos muito para contar, e acreditamos em nossas histórias, em
nossas vivências. Se achamos que podemos dar ao outro algo de bom, então vamos
lá. Fé cega e faca muito bem amolado. 1976 é o ano de São Jorge. Afiar a lança
para matar novamente o dragão
.
Opinião: Mas nós já
discutimos os condicionantes, e já falamos a respeito do consumismo que grassa
por aí. Lutar, certo, de peito aberto, sim, mas e os riscos que se corre?
Caio F: O risco a que eu me
exponho, publicando, é o mesmo que corro estando vivo. Mas, realmente vivo,
consciente e participante. Viver é expor-se ao perigo. Escrever também. Sempre
tem um Hélio Pólvora nos acusando de plagiar um conto que nunca lemos. Medo?
Porquê? Se não somos editados, não somos distribuídos, não somos divulgados,
não somos lidos e nem sequer respeitados em nossa integridade, o que temos a
perder?
Opinião: E não é nesse
contexto que se formam as panelinhas?
Caio F: Existe uma lealdade
básica que não deveria ser atraiçoada. As coisas só são fortes se forem
grupais. Divisões internas, competiçoezinhas provincianas, panelinhas? Ridículo
e inútil. Como diz Nei Duclós, poeta gaúcho, em Outubro: "Confio na
solidão que nos une / e na vontade de quebrar tudo / que cresce aos poucos como
um fruto".
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
Adivinhe quem vem para roubar
Em 1993,
Caio F. escreve sobre a volta dele. De quem? "não digo nem escrevo o nome
dele", ele escreve. "E não digo que volte direto por cima (embora
seja essa a meta), mas passo a passo. Deputado, senador." Pois, quase 25
anos depois dessa coluna de Caio, o tal anuncia que está na disputa à presidência. Abaixo a coluna
Adivinhe
quem vem para roubar
Fiquem atentos, ele quer voltar. Nas últimas semanas, aqui e
ali pelos jornais, encontro notas sobre a mudança para São Paulo, sobre o livro
que está escrevendo e até mesmo algum artigo estofado de palavras gordas tipo justiça, pátria, dignidade. Em fotos
recentes, continua com aquele ar entre o pinguim de geladeira e ator canastrão
de melodrama chicano, agora acrescido de certa aura estudadamente humilde. Como
se quissesse deixar bem claro que sofreu-e-aprendeu-com-o-sofrimento. Atenção,
a cilada está se armando. Como antes, tão lenta que mal se percebe.
Porque ele é espertíssimo. E não digo que volte direto por
cima (embora seja essa a meta), mas passo a passo. Deputado, senador. No
começo, não recusará os mais insignificantes espaços da mídia - e esta, o que é
horrível, lhe dará espaços cada vez maiores, mais nobres. (Se é que se pode
usar a palavra "nobre" em situação desse tipo.) Também porque virá o
livro, e haverá o pretexto de divulgá-lo e naturalmente vendê-lo. Aos quilos,
lógico. Tudo é business, aqui e no Haiti.
Até que, num final de semana, você vai tropeçar na cara dele
na capa das principais revistas do país. Humílimo, sofridérrimo, luzes
acentuando certas rugas amargas, certas sombras, quase santo. E enquanto rolarem
inimagináveis conchavos políticos por trás, a imagem começará a nos bombardear
de novo. Já imagino os sentimentos coletivos a serem utilizados em slogans
autopunitivos e maquiavélicos: erramos, fomos injustos, nunca é tarde para
corrigir um erro. Ele vai declarar que tinha certeza de que não o deixariam só,
como pedira, que o povo brasileiro, minha gente, não o trairia, que agora sim
vamos retomar o crescimento e a arrancada em direção ao século XXI e
patati-patatá, lembram?
Quando chegar o momento, virão votos em penca das regiões
mais medonhas do país. Como da outra vez. Haverá fraudes, acidentes
providenciais em caminhões que conduziriam eleitores do outro candidato - e
isso y otras cositas, jamais será esclarecido. Em seguida, estonteantes viagens
internacionais, superjatos, transatlânticos, jet skis, talvez um novo casamento
(o anterior, convenhamos, é difícil reabilitar). Sugiro: Lady Di após o
divórcio, ou Madonna (já que ela vem aí, não custa tentar. No caso de elas não
toparem, quem sabe Sula Miranda (aquela porção sertaneja)? E por que não Xuxa,
tão solitária e combalida sob o peso daquela estressante montanha de dólares?
Calma, também não precisa delirar... mas ele quer voltar, do
fundo mais lodoso de minha paranóia congênita - acho claríssimo. Ele sabe que,
das muitas doenças graves que afligem o país, a mais grave é talvez não
suportar a própria cara. Como da outra vez, quando em vez da rude cara operária
do outro preferiram a empoada dele, simulacro estúpido dos galãs de TV. Como se
votando nele se tornassem ele.
E os caras-pintadas, meu Deus, vão ficar com as caras no
chão! Aprenderão na carne aquilo que sempre ouviram dizer: o Brasil, meus
filhos, é um país sem memória. Tanto que, até hoje, ainda não percebeu que este
horror onde estamos atolados não passa do saldo legado por ele. A impunidade
para ele e seus capangas nos deixou uma inversão moral nojenta: se você é
honesto, você é trouxa. Não viram ele? Se ainda não, arregalem bem os fatigados
olhos: exatamente um ano depois de ter sido corrido, armando todas para voltar.
Não digo nem escrevo o nome dele. Como aquela palavra, o
contrário de sorte, cuja carga negativa desaba sobre quem a pronuncia. Pois
isso é o que vai acontecer a quem se deixar enganar outra vez. Não digam que
não avisei. Só vai ser difícil me achar para dizer qualquer coisa. Porque se
isso acontecer mesmo - além da imaginação - peço aos amigos que me joguem num
hospício e me deixem lá. Incomunicável.
O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 3 de
outubro de 1993
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Lamúrias com chantilli
Daí um senhor das Minas Gerais escreve para reclamar das
lamúrias de Caio F. e ele, que nunca responde cartas de leitores, responde. A
crônica é uma maravilha. Uma espécie de resposta aos haters, antes das redes
sociais.
Lamúrias com chantilli
Só mesmo as mães são felizes.
Ou: caretas de Paris e New
York sem mágoas estamos aí
Ou: caretas de Paris e New
York sem mágoas estamos aí
Recebo muitas cartas de
leitores. Nem sempre - ou quase nunca -
respondo. Fico contente e grato, mas não tenho tempo. Também porque a maioria é tão legal que nem pede
resposta. Só dizem coisas boas, dão força. Ter leitores me espanta, não consigo
acreditar muito nisso. As cartas, alguns telefonemas também, desmentem essa
sensação. E é aí que sinto medo, porque vem o peso da responsabilidade sobre o
que dizer. Mas se deixo o medo baixar, eu travo e não escrevo nada. Então,
quando sento para escrever, é como se não tivesse leitor algum em parte alguma
do mundo. Fico só preocupado em dizer alguma coisa que eu mesmo realmente
acredite. Que seja verdade dentro de mim, e assim será muito amplo: porque eu
sou todo mundo, entende? Quem é da mesma família, entende sem muita explicação.
Quem não é, fazer o quê? Dar detalhe cansa.
Mas eis que, semana passada,
chegou uma carta irada. Um senhor lá das Minas Gerais dizia-se cansado das
minhas "lamúrias". Falava coisas como "pessimismo mórbido e
doentio" (oh Deus, estes oito anos de análise e uma alta servem pra quê? e
- medo - dizia-se temeroso que eu "influenciasse os jovens a cometer
suicídio". Nefasto Caio F.: seria eu tão poderoso e fatal assim? Uma
espécie de Jim Jones da crônica.
Isola rápido. Ô, meu senhor,
não quero isso não. Queria outro mundo, outra ordem social, outras relações
humanas - e me sinto um tanto idiota tentando explicar o que me parece óbvio.
Mais carinho, mais beleza, mais justiça, mais alegria. Qualquer coisa que qualquer
pessoa razoavelmente normal (mas "de perto ninguém é normal",
lembra?) quer. Mesmo um punk, só que o jeito de querer do punk é do avesso. E o
avesso é um jeito tão bom quanto qualquer outro. Além disso, não tem só cara e
coroa. Tem cara, coroa - e quina também.
E é aí que não entendo
certas pessoas. Principalmente essas que chamo de "as trolhas do
apocalipse". Sabe aquelas bem-intencionadérrimas? Sabe aquela linha
o-que-será-do-futuro-de-nossas-criancinhas? Sabe aquela linha
vamos-valorizar-o-sorriso-de-uma-criança-o-voo-de-uma-borboleta-e-o-azul-do-firmamento?
Viver é barra, meu senhor, Deus é naja e o amor - com licença de Maria Rita
Kehh - é uma droga pesada. E nada tenho contra najas, barras e drogas pesadas.
Só não acho que fazer aquele cretiníssimo "jogo-do-contente" de
Pollyana seja a melhor maneira de enfrentar e compreender o real. Todo mundo é
médico e monstro. A vida também. Você deve ficar ao lado do médico, mas encarar
o monstro quando ele pinta. Senão, meu caro, um dia ele te devora.
Acho que todo mundo
interessado em situar-se um pouco nestes anos 80 deveria ouvir pelo menos uma
vez Só as Mães São Felizes, de Cazuza. Tá tudo lá. Amargura não existe, quando
se tenta compreender. E pessimismo, pra mim, é palavra sem sentido quando penso
em Chernobyl ou Cubatão. Nem sempre o que é fácil é bom - me dizia um Dragão,
naquele domingo de chuva no aeroporto. Auto conhecimento, e por extensão
inevitável o conhecimento dos outros e do mundo, não é exatamente um mar de
rosas. Mas nunca tive medo de nada - de dentro ou de fora - que pudesse ampliar
minha consciência. Acho que esse é o único jeito digno de ser. Por isso mesmo,
durmo em paz toda noite. Muitas vezes só, confuso, angustiado, assustado - mas
absolutamente certo que sou uma pessoa legal. Ainda não nasceu a trolha do
apocalipse capaz de me provar o contrário.
Metade luz, metade treva. E
esse fio de navalha entre os dois, corda bamba afiada onde você, sombrinha
aberta da mão, pé ante pé se equilibra. Ou tenta. Sem rede de segurança, mas
com um sorriso nos lábios, e um grande, sonoro, enorme axé! no coração. Pra
todos nós.
OESP, Caderno 2, quinta-feira, 9 de outubro de
1986
sábado, 13 de janeiro de 2018
Por enquanto é só
A certa altura de Alice Que
Delícia, peça de Antonio Bivar, uma das personagens (a filha Dilema) refere-se
ao "boom das cantoras sapatas". Ou seja - aquele monte da cantoras de
MPB surgidas nos anos 70, no auge do feminismo e de Malu Mulher, que o público
aprendeu a identificar mais pelas características sexuais do que pelas vocais.
Lembrou? Aposto que, em um minuto, você é capaz de identificar pelo menos meia
dúzia. A elegância me impede de citar nomes. Ouvindo Só, primeiro LP
(independente) da cantora Fortuna, essa história me voltou à cabeça. talvez
daqui a dez anos, repensando a música brasileira deste final de década, alguém localize
outro boom: as cantoras de vozes agudas. Lembrou? Aposto que, em um minuto,
você é capaz de lembrar pelo menos meia dúzia. E a elegância, novamente, me
impede de citar nomes.
Não que Fortuna não seja uma
boa cantora. Ela é: afinadíssima e cheia de bom gosto na escolha do seu
repertório - quatro músicas de Itamar Assunção (também produtor do disco),
outra de Luiz Melodia, uma de Tetê Espíndola, outra de Arnaldo Black, mais um
velho Tim Maia (Não Vou Ficar, antigo sucesso de Roberto Carlos) e um
velhíssimo Herivelto Martins (o belo Caminhemos, em arranjo e interpretação
apáticos). O problema é a receita. As cantoras do boom de vozes agudas adoram a
vanguarda (?) paulistana (surpreendente, em Fortuna, é não gravar nenhum
Arrigo, nenhuma versão de Augusto de Campos) e invariavelmente (re)gravam um
Roberto Carlos, uma música francesa ou italiana dos anos 50/60 (Fortuna escapou
dessa) e um clássico de "fossa". No release mesmo, Itamar avisa:
"ela gravou Caminhemos, como poderia ter regravado As Rosas Não Falam, de
Cartola, ou Trem das Onze, de Adoniran Barbosa". Ou (o acréscimo é meu) A
Noite do Meu Bem, de Dolores Duran, ou Nada Além, de Custódio Mesquita.
Por esse repertório, passeia
a voz de Fortuna. Previsível o primeiro, bem educada demais a segunda. Quase
impessoal, sem nenhuma emoção. Você coloca e vai ouvindo e vira o disco com a
impressão de que é sempre a mesma eterna faixa: correta, oportuna, com
teclados, violões, guitarras e percussões entrando na hora certa. Lá pelas
tantas a moça pergunta se o ouvinte tem lido Leminski, Jorge Mautner. No meu
caso, decididamente não. Serve Adélia Prado, Armindo Freitas Filho, Sérgio
Sant'Anna? Duvido. A julgar por Fortuna, a chamada vanguarda paulistana parece
ter entrado em acelerado processo de diluição e repetição. Fortuna chegou
atrasada. No seu inabalável bom comportamento, dá vontade de ouvir a voz
rasgada de Nana Caymmi, ou os gritos desafiadores de Vange Leonel. Tivesse
evitado a prudência de cair, confortável e sem riscos, no colo da vanguarda
consagrada, Fortuna talvez tivesse resultados mais irregulares - mas sem dúvida
menos monótono. Por enquanto, é só.
O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 12 de agosto de 1987
terça-feira, 8 de agosto de 2017
Contracapa de Amado Meu, livro de Pasolini
Lendo essas histórias – romances curtos, novelas,
confissões de um amor muito pessoal: que importa o nome? – ficaram muitas
coisas na minha cabeça. Antes de mais nada, a culpa que atormentava Pasolini
por esse amor que chamam de homossexual. E o seu impulso em direção ao prazer
de repente e sempre cortado pelo proibido de fora ou de dentro de nós. Fico
pensando que, se existe alguma forma de modificar o mundo e as organizações
sociais repressoras dentro dele, uma das mais eficientes talvez seja a dos
poetas. Quando abrem o coração para, devagar e sofregamente, mostrar aos outros
tudo o que se passa dentro dele. É nesse momento que conceitos como moral,
certo errado, bem ou mal deixam de ter sentido. Fica, no final de tudo, só a
vida que flui e reflui sem nome, imensa.
O texto acima está na contracapa de Amado Meu (ed. Brasiliense, 1984). É resumo de um, já postado aqui, o belíssimo Meu Amado Pasolini, publicado no Primeiro Toque, o informativo da editora, e datado assim: "Sampa, maio de 1984". Abaixo o link:
quarta-feira, 26 de julho de 2017
Para Além dos Muros: Caio F. na Dr. Arnaldo
“Agora vejo construções brancas e frias além das grades
deste lugar onde me encontro.” – Primeira Carta Para Além do Muro
“...tentando ver os púrpuras do crepúsculo além dos ciprestes
do cemitério atrás dos muros – mas o ângulo não favorece, e contemplo então a
fúria dos viadutos...” - Segunda Carta Para Além dos Muros
“Mas à noite, quando os neons acendiam, de certo ângulo a
Dr. Arnaldo parecia o Boulevard Voltaire, em Paris, onde vive um anjo surfista
que vela por mim.” – Última Carta Para Além dos Muros
Estes fragmentos são das crônicas que Caio F. escreveu em
agosto de 1994, quando se descobriu portador do vírus HIV e foi internado no
Hospital Emílio Ribas. “Foram 27 dias habitados por sustos e anjos...”, ele
escreveu na Última Carta Para Além dos Muros.
No muro do Hospital, na avenida Dr. Arnaldo, um painel, inaugurado em dezembro de 2015, traz grafites que mostram Caio ao lado de Cazuza, Betinho e Alex Vallauri, todos vítimas da Aids.
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